domingo, 5 de setembro de 2021

Julgo X Jugo

 Por que as pessoas ficam ressentidas com que lhe é contado em relação ao outro lado da história de alguém, principalmente famoso ?

 Nem um ser humano é perfeito e certamente Gandhi também não era.

Algumas coisas valem nossa opinião. Outras valem apenas repetir o bem dito para nos representar. Outras ainda, provas são necessárias para atuar numa prática que afetaria outras pessoas. Desse complexo chamamos discernimento, que só se adquire por estudos. E lembramos que o homem considerado o mais sábio dos sábios disse, "Só sei que nada sei"... Quanto mais estudar, saberá que há muito mais pera se conhecer do que alguém é capaz numa vida.

 Aprendi, de tanto estudar e querer (procurar) o bem, que é necessário parar de ficar endossado, endeusando ou demonizando as pessoas. E ver de verdade o que no fundo elas foram e/ou por outro lado os ideais que elas pregavam, ou representavam. Dizem que raramente as duas visões se igualam.

 Cada um dos grupos que escolhemos no correr da vida são válidos para um objetivo comum ou fase de vida. Ou ele se transforma, evoluindo de acordo com o amadurecimento dos participantes, ou ele transforma esses membros em seguidores desprovidos de crítica. Conservar boas relações às vezes é superficializá -las na idealização. Por necessidade ou por covardia. Fora isso é só construção, ou cooperação responsável, com respeito e acordos de verdade.

 Mandela, Che Guevara, até Hitler (há quem ache que ele fez algum bem... até hoje não o vi) e tantos outros são exemplos clássicos disso que eu estou falando.

 Deixando as paixões ideológicas de lado e analisando as suas biografias friamente, nós iremos perceber que eles, na vida pessoal, não eram nada disso que os meios acadêmicos e midiáticos populares preconizam. Pelo contrário, fizeram mal a muita gente e ainda assim, são reverenciados por muitos quem até nem conhece as idéias que defendiam publicamente.

Mas com certeza, não há só dois lados pra observarmos nesse nosso julgamento interno. 

Há quem se agrupa por idéias, ideais, propostas, construções, projetos e até por viver uma realidade escolhida. Há também quem prefira seguir pessoas, ídolos, limites ou paixões.

 Vai entender!...

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Direitos humanos X Liberdade

( e a tecnologia?… vai bem. Obrigada! )


                             02 de fevereiro dia da nossa senhora  
                              dos navegantes... Iemanjá.

A partir da sensação de que fomos uniformizados pela mídia e regras antigas autoritárias, a lista de direitos humanos só aumenta. Proporcionalmente à formalidade nas relações pela falta do interlocutor em consequência do avanço tecnológico. Avanço esse que não convém retrair por motivos próprios.

‘Eu e você’ ... cada dia mais raro.
Novas amizades são mais raras, principalmente pela banalização da palavra ‘amigo’ sem um substituto à altura. Interlocutores tem sido as tecnologias e suas variações de limite físico.

Falo com ‘isso’, que pode transmitir ou não a você, que seria sujeito básico da comunicação humana afetiva... Seria o interlocutor. Com esse sujeito a criatividade e a ética tem mais campo de interpretação e ação por existir consequências mais duradouras e previsíveis. Aonde há acordos de responsabilidades mútuas.
No entanto, a tendência tem sido responsabilizar-se simplesmente por estar em uma situação. Surge de repente e some da mesma forma. Situacional, precária, ocasional e vai até certo ponto.
Sem interlocutor, tenho que ser ‘responsivo’ e não responsável. Situações em que não conseguimos identificar os sujeitos desse possível acordo, ou quem irá cobrar a responsabilidade.
E os contratos pro futuro, serão cada dia mais individuais e transferíveis?


Quando setorizamos, a ética trata de prever melhor a relação de ‘culpa X liberdade’. Ou seja, a responsabilidade seria prevista e clara a partir da justiça geral, equilibrada na visão de consequências dentro do conhecimento mútuo ou do meio. Por outro lado, a tendência das relações mais fluidas é o domínio individualizado, que gera mais regras, consequentemente proporcional à capacidade (ou noção imediata de direito) de manipularmos pessoalmente o meio. 

Esse cenário pode ser palco para nossas fugas, ou para a necessidade de repensarmos nossas sociedades. A anarquia é desejável quando há excesso de dogmas massificando um grupo. E quando todos se sentem individualmente desrespeitados?
Agora o drama é da falta de respeito, tanto de privacidade ( regras que protegem decisões íntimas ), quanto ao papel do outro. Porque vem desaparecendo a noção de individualidade, a partir da própria noção da diversidade e maior volume de exigências individuais. Um grande paradoxo humano.

Nessa fluidez crescente e cada dia mais aprofundada, temos nos encontrado com pessoas de nosso mais caro afeto nos velórios. Ambientes cada dia mais voltados para o alívio e leveza estética de quem ainda vive.

Vamos continuar fugindo às discussões de responsabilidade social e viver em ciclos repetidos entre sistemas ideológicos liberais e sequentes regimes autoritários?
Ou seja: minha responsabilidade não está mais sujeita ao direito do outro ...  ao mesmo tempo a multidão me impede à  ndividualidade e favorece surgir o sujeito autoritário para manipular a massa insatisfeita. Aí completa com a consequente revolução dessa massa, que elege um representante, o qual  humanamente vai  decepcioná- la  ... Assim segue -se por ciclos até que amadureça o diálogo, as regras sociais e suas  respostas à altura.

“A realidade humana é que eu sou sempre o outro, diferente do que você vê. E te devo respeito como você me deve.”

Tiramos o você das relações... 
e agora José...
o “Isso” não me deve respeito.



Salve,  rainha dos navegantes !
Por
CláudiaMafra
02fev18

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Foi assim


Um vento na rosa dos ventos
Coração como uma ampulheta
te senti
Um riacho ou labareda
Mais denso ou leve sonhar

Faço tudo para me livrar 
de uma ilusão 
Quando o pensamento voar 
de mim
Quero ter mais um instante
sua emoção
E um tempo intangível
(eu longe de ti)

Sinto o gosto ao lembrar-te
Faço versos para embalar
minha emoção
Vejo um mundo a se encantar
Os passos irão se encontrar
Essa paz é bem aqui

e leva-me a cantar
e traz-me a esperar
vem com a lua em seu olhar
para mim





quinta-feira, 14 de abril de 2016

Entre o ser e estar


O substrato do que vivenciamos hoje vem acrescido de nossas falhas dignas para o aprimoramento...
De quem? e Para que? são questões que passamos a nos descrever com prioridade.

Entre o ser e estar

Permaneço (permeio) ou fico em uma relação em que a ética arranha as situações mais e aparentemente simples?
A condução dos eventos cabe ao nosso entendimento da necessidade individual? Cabe a manipulação mútua e dos sentimentos alheios? De onde vem a ideia de estarmos disponíveis tempo e espaço para o outro?
Julguemos nossas atitudes com a coerência ou não. Com o que nos moldou anos de vida e por mais que queiramos e já podemos viver sem vários limites, ainda há. Não só as linhas que circundam as relações paralelas a esta, mesmo sendo anteriores, para este questionamento são as "outras".
Mas por um lado há dignidade e liberdade conquistada com alto preço.  Por outro há ganhos secundários não condenáveis, ou necessários a manutenção de círculos de realidade ou de produtos oriundos de histórias inacabadas. Além dos medos inconscientes estabelecidos por um sistema em que amor não combina com prosperidade. Inconsequente?
Não, é a resposta que quero.  Como par em busca um do outro no encontro, no acaso, poesia, melodia de viver. Construindo uma história para que a vida cada um sustente.
E cada um em seu caminho tecendo o agasalho para quem vem, para quem nos segue, contaminando com amor e dignidade.

Liberdade devia ser o tempero de todo amor.



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Par

Na dança
o homem conduz
a mulher encanta
os dois são livres
improvisam
pisam no pé do outro -sem querer...
Vão perdendo-se de si mesmos
sem perder
o compasso
a harmonia
o par.
E no bom da vida.


.                                    Cláudia Mafra . maio 15


Entendimento

Harmonia é apenas uma percepção ilusória de um momento.
Quando entendemos o caos, percebemos a harmonia nele contida ...
Desesperar jamais !
Desistir só por escolha responsável !

Penso, por exemplo, na atitude de um músico da época de J.S.Bach 

(a1700),quando foi executar sua música pela primeira vez ...
O entendimento vem da ciência (paciência) :
-passa pela observação e técnica
(respeito e dedicação)
-passa pela coragem de se expor como aprendiz
(humildade)
-racionaliza à partir do sentimento, da percepção sensorial, para agir
(a lógica da vida está na poesia)



.                                                   Cláudia Mafra. jun15

domingo, 25 de janeiro de 2015

Imenso




Já fui casa, árvore, barco, barqueiro ou o próprio rio.
Até montanha já fui. Hoje poderia ser céu.
Um céu impressionista. Aquele céu com movimento
e tem nele todas as cores do quadro, além do infinito.
Aquele de uma tarde em que você olhou e disse
que se fosse uma pintura ninguém acreditaria
de tão bonito, diferente, de tão emocionante.

Tem dia que acontece coisa diferente no dentro da gente
Mesmo parecendo irreal, não é.
Fica tudo dimensionado no universo do momento 
tão maior do que a pintura.
Tão maior do que poesia,
Tão maior do que a música.
Tão maior do que qualquer dizer.

Quem já sentiu um momento eternidade?...
não parece ser só por dentro
É tão grande maior que o mundo.
Leve mais solto que o vento.
Vivo que nem precisa matéria.
Preenchido que não precisa cor.
Infinito que não cabe na palavra.

                                                              CláudiaMafra.

sábado, 20 de setembro de 2014

In te



As dores deixamos de lado


( nao displicentemente larga-las )


Respeitosamente colocamos

para que nao nos ancore

para que nao tropecemos

dores do corpo a direita

dores da alma a esquerda

Vivencias para trás

Lembranças à frente


Passo firme no caminho agora


integridade


por 
Cláudia Mafra escrito num outono... só que primavera.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Check !

Check
por CláudiaMafra


O amor me deixou em “check”
Na encruzilhada do bem e do bom...
Mergulho em lágrimas
Despidas da certeza do querer
Mais dar ou mais receber.

A vida lamenta ou adorna
Sufoca ou liberta
Trata ou destrata
Cria ou aborta...
O consciente tem o poder para manter o equilíbrio.
O corpo pede recompensa.

E o sentimento
O que pede?...
A entrega suicida para o outro,
Ou a insaciável necessidade da troca?


Interessante  como um texto que muito tempo não lido parece outro agora. A sensação de reescrevê-lo sem mudar uma letra. Magia real. Poesia.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Eu e o Grande Amor

Ego e Amor. Questão...
Por Cláudia Mafra


Há diferença entre idealização e fantasia. 

A fantasia não necessariamente tem compromisso com a realidade, apesar de às vezes insistirmos em vive-las.

Já a idealização que falamos aqui, parte da realidade.
É a criação a partir de uma pessoa ou situação de convivência e necessidade. 

Os pais, por exemplo, são idealizados a partir da adolescência (ou antes) por necessidsde da formação do adulto. Convive-se necessariamente com seus representantes adultos, que darão parâmetros para a própria e íntima criação. Estes parâmetros são elementos que junto com outras impressões de vivencias e observações formarão os pais ideais na imaginação.  Esta ideação convive paralela ao relacionamento real com os adultos. Fazendo críticas e alimentando este ideal, este modelo a ser intimamente seguido.

O questionamento aqui proposto, é como usamos esta capacidade de ideação, tanto no relacionamento com os modelos reais "adultos"(pai ou mãe), quanto na transferência das relações interpessoais.
 Lidamos com este modelo íntimo paralelo às convivencias, com respeito as diferenças do real? Ou levamos este modelo, que deveria ser só nosso, para dentro das relações, cobrando do outro este ideal de nossa criação?

E pergunto se transferimos "aquele personagem perfeito que nos completa" para um relacionamento que já acabou ou que o tornamos impossível? E ainda o mantemos a distância como impossível idealizado "O grande amor de minha vida" que justifica, nossa covardia, em toda realidade de escolhas erradas e outros fins absolutamente reais?

Analisemos o conteúdo da sinceridade e o contexto para inserir

sábado, 19 de outubro de 2013

Relatividade da Bússola

A verdade é relativa para quem tenta mascarar a realidade.

Ou seja, complicar a vida (futuro) quando tenta "simplificar",
na verdade ao desqualificar os fatos com base em seus desejos.

A verdade não é imposta. É vivida.

A verdade não é escolha. Existe sempre.

A verdade não  é  oculta.  Está  no caminho.

A verdade não é estática. É dinâmica e provocadora.

A verdade não é mutante. É diversa e única como o tempo.

A verdade não é  absoluta. Torna-se absoluta  para o contexto.

A verdade não se camufla. É captada para dar sentido à realidade.

A verdade é amiga da simplicidade. É preciso lucidez para percebê-la.

A verdade não é relativa para cada pessoa. É"opcional”como o Norte da bússola.

 

Relatividade da Bússola

Por Cláudia Mafra escrito em ago/2013

sábado, 24 de agosto de 2013

Percepção do Mundo

Cláudia Mafra


     É preciso manter a tranqüilidade e a lucidez para percebermos o mundo (pelo menos em torno) tal qual ele é.
Para conseguirmos manter a tranqüilidade e lucidez de percepção, é preciso aceitar o mundo, os acontecimentos, como eles são e por outro lado aceitar os próprios desejos, medos e juízos.
Assim é possível ter tranqüilidade e lucidez de percepção para interferir ou silenciar. Adquire o respeito no campo das decisões. 

Por outro modo, sem aceitação dos próprios limitadores, perde-se percepção. perde a razão passando a agir por meros impulsos. Acaba interferindo aonde não deve, desgasta-se. Dá vazão aos desejos, medos e juízos individuais que provocam indignação agressiva por falta da lucidez. Contra si mesmo direta ou conseqüentemente. Já sem limites. Ou seja; força o campo de tranqüilidade e lucidez do outro.


     Quando o espaço individual é ameaçado, invadido e quando o dialogo já não é suficiente ou possível para manter o respeito, é necessário o afastamento. 
Há casos em que precisa ser usada força proporcional à recebida. 
(Observemos os profissionais da lei como agem para 
garantir o espaço alheio em casos extremos.
No campo da lei, quem não aceita seus limites perde
o direito de conviver com outras pessoas que,
procuram ou vivem para se melhorarem.)


A realidade é amiga da simplicidade
Que são amigas da humildade - capacidade de se expor como aprendiz
Que são amigas da honestidade - verdade captada e incorporada
Que são amigas das irmãs gentileza e liberdade.


.

domingo, 10 de março de 2013

Confronto de idéias ou Intenção?

Você quer que eu aceite suas idéias e o que preciso e aceito é o seu afeto.


por  Cláudia Mafra       

  Em nosso círculo afetivo é importante estar seguro de que consideram suas idéias, para simplesmente trocarmos o afeto que temos. Fora isso é tentativa de controle provocada, cultivada por nossa insegurança pessoal ou paixão.

  Se deixamos a discussão competitiva a agressividade é crescente. Daí alguém tem que assumir o controle. Seja para fugir, seja para mostrar quem é mais forte.  Acaba mal.

  Depois de anos desse "cultivo" a relação tende a virar um círculo repetitivo, onde muitas vezes a doença vem "salvar". Ela pode deixa-los impotentes e provocar dó ou solidariedade, compromisso em favor do bem estar do outro educando afetivamente os dois em cooperação.

  Bendita doença?... Não!
Mesmo porque nem sempre dá certo. Mesmo porque nem sempre tem um motivo para se estar doente, seja da alma ou do corpo.
Temos sim e sempre pelo menos um, forte motivo para cura pessoal e das relações.

  E a cura não é o fim. É um início onde temos nova oportunidade de escolher  caminhos doentios ou conscientes mais sadios.





Salvador Dalí  - "Metamorfose de Narciso" - 1937
O mito grego de Narciso, o jovem belo que viu sua imagem refletida em uma fonte e se apaixonou por ela. Segundo uma das versões, incapaz de satisfazer seus desejos ele se transformou em árvore; em uma outra alternativa dramática, ele se inclinou para frente até abraçar a imagem, caiu de cabeça dentro d'água e se afogou. Depois os deuses o transformaram em flor, Dali mostra Narciso sentado à beira de um lago, olhando para baixo, enquanto, próximo, uma figura de pedra se decompondo se parece bastante com ele. No fundo, um grupo de figuras nuas faz poses, enquanto uma figura semelhante a um narciso aparece no horizonte.

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