segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pensar & Respirar

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      Imagine a situação: um casal recebe convidados em sua grande mesa para um almoço formal.  Ao escolherem os lugares, a mulher perguntou:
      - Aonde você quer se sentar, meu bem?
      - Qualquer lugar. - ele respondeu depressa.
      - Qualquer lugar não tem... - ela brincou buscando seu olhar com um sorriso paciente.
Ele então olhou os lugares mais próximos e seguiu à frente da cabeceira, respondeu sem olhar para ela:
      - Pode sentar-se aqui.
      - Amor, você... - reticenciosa, a mulher ainda paciente, aguardou a posição do dono da casa.
      - Eu sento aí mesmo.  - ele retrucou, posicionou-se, ainda sem olhar para ela e indicou o primeiro lugar ao lado da cabeceira exatamente aonde ela se encontrava de pé.
      - Está bem. - respondeu com um movimento que para quem a conhece, foi brusco. 
Suspirou e manteve a decisão do marido. Daí envolveu-se na reunião. Correu tudo normal e alegremente.

      No decorrer de situações como esta, espectadores, ficamos torcendo para ver o que vai acontecer e quase sempre é grande a diversidade de opiniões... a começar do próprio casal.

      Neste caso vale pensar na expectativa da mulher ao provocar "o homem firme e cúmplice", com quem ela se casou? Como toda mulher espera um companheiro que saiba a hora de ser mais gentil e atuante, porem sem exageros.
É lógico que havia um jogo de vítimas naquela situação. Como não participar? A não ser que quisesse discutir sobre a intenção de cada um naquele momento... Nem pensar!
Sim, foi armadilha. Consciente ou não.
Alguém que só observou a mulher sentada à cabeceira e bastante a vontade, interpretou que estava em posição de domínio sobre ele. Exatamente o que o marido queria? Seria normal se fosse ao contrário? Para muitos é de praxe o “dono da casa” ser servido à cabeceira da mesa.

      O que leva uma pessoa a fazer jogos de relacionamento, (seja homem ou mulher)? Há tantos casais nesta posição de relacionarem-se apenas pelos jogos de domínio, culpa ou egoísmo. E algumas vezes acham que é normal; que esta é a única maneira de um casal se suportar. Ao mesmo tempo cada um mostra aos outros que é vítima ou dominante, quando deveriam ser apenas companheiros. Simples assim. Como uma amizade onde não há restrições de intimidade e o limite é o respeito a si e ao outro.

Será isto tão difícil?
Será que um dia houve respeito?
Como resgatar limites e entendimento, para mais compartilhar do que suportar um ao outro?
São perguntas que devemos nos fazer de tempos em tempos. Avaliarmos se estamos fazendo as coisas juntos, com sacrifício ou à vontade.



      Em todos relacionamentos, sei que tenho escolhas o tempo todo pra fazer. Sendo consciente e conseqüente em cada uma, fica mais leve e prazeroso o com-viver. Erro menos,  entendo melhor. 
Ao longo dos anos sobra mais tempo pra ser gentil, ter prazeres e... juntos.

      Já ouvi alguém dizer: - Lembre-se de respirar antes de responder!


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Após os dias de homenagens aos mortos, vamos conversar sobre a morte?...



a vida e armadilhas do medo.
(por Claudia Mafra)

A doença provoca uma agressão, força uma continuidade entre o viver anterior e o agora... tornando o futuro incerto.

Nós temos sempre porta aberta para outra forma de poder ser. A morte é uma das certezas do futuro e nos permite o planejamento da vida. E podemos dizer, filosoficamente, que a vida é a luta contra o nada, o não-ser. Ou a idéia da brusca interrupção de “um projeto” nos dá sensação de possível fracasso.
A idéia da morte ou do cessar da existência, é algo que o Ser sabe e conhece como uma possibilidade, porém não experienciável, pois quando o Ser se defronta com a morte, com o “nada maior”, deixa de Ser no mundo. Portanto, a experiência da idéia da morte é “...o sentido da não possibilidade de chegar-se à totalidade” ? (de M.Heidegger)
Vivemos a temer o que não se pode experimentar ou não se lembrar da experiência (como os que admitem continuidade da vida após a morte). Estamos sempre ao lado do fato e a única possibilidade de acesso à morte é ganhar a experiência da morte do outro. Não há como compreender a morte como algo experienciável. Só sabemos que assim que a pessoa inicia o seu ser, aí já tem suficientemente idade para morrer.

“        A morte é, portanto, no sentido mais amplo, um fenômeno da vida, identificável, ainda que não possa ser vivido. Tendo diante de si a possibilidade constante e total da morte, a possibilidade inseparável da condição de estar aí-no-mundo, num processo de individuação, o homem está em ansiedade. Esta ansiedade é assumir para si a proximidade do nada, do não-ser-mais, uma potencialidade que é própria do seu estar sendo. Ser-para-a-morte é, portanto, na sua essência, um estado de zelo, de preocupação com a vida.”
(J.Martins 1983)


Ser no mundo é estar aberto para as possibilidades, inclusive o “não-ser”. Muitos de nós precisamos de uma fé. Então que esta fé seja raciocinada e não cegua pelo medo da “morte” ou do “juízo final” ou “carma”. Nossa tendência é esconder a mais própria possibilidade de ser e surge o medo da morte, a que não pode entregar-se a pessoa confiante em si mesma. Também por tornar-se frágil e sujeito a ser levado por inescrupulosos, tanto de crenças quanto especialistas em estética, a encher seus “chaveirinhos” de fiéis e clientes fiéis, tanto faz.

Para muitos, definir o Ser é o problema mais árduo do pensamento e Deus tudo criou. No velho Oriente, (Lao-Tzé -século VI aC), o não-Ser é o eterno Tao que é, não tem origem e cria sempre.
“        O que é não tem princípio e cria continuamente, é o Tao. De uma vida a outra portanto, embora sem ter fim ou decair, é a eternidade...”
“        Este Tao Eterno que é a negação do ser ilusório, também se chama nada. O nascer não é o começo e a morte não é o fim, enquanto o nascer e morrer são somente a entrada e a saída através da invisível “porta do éden” que se denomina não-ser. Esta é a morada dos homens perfeitos. O verdadeiro Tao não se explica”.
(Burber, 1974)

“        O Ser tem o não-Ser dentro de si mesmo, de modo que é eternamente superado no processo de vida divina. A base de tudo que é, não é uma identidade morta, sem movimento e vir-a-ser; é uma criatividade vivente. Ele se afirma criadoramente, conquistando eternamente seu próprio não-Ser. Como tal é o modelo de auto-afirmação de cada Ser finito e a fonte de coragem do Ser.”
(Tillich, 1977)
         Os conceitos de mortalidade e de mutabilidade limitam nosso ser. O corpo não é senão vibração materializada e deverá ser reconhecido como tal?
A consciência da enfermidade, da decadência e da morte, podem ser alteradas por meio da compreensão científica, tanto das profundas leis que unificam a matéria e o Espírito, como da qualidade ilusória da manifestação do Espírito com forma de matéria, do Infinito em forma finita.
         Crede firmemente que haveis sido criados à imagem do Pai e que, portanto sois imortais e perfeitos?

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um pouco de poesia (pura). Só pra quem gosta.


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O amor me deixou em “check”
Na encruzilhada do bem e do bom...
Mergulho em lágrimas
Despidas da certeza do querer
Mais dar ou mais receber.

A vida lamenta ou adorna
Sufoca ou liberta
Trata ou destrata
Cria ou aborta...
O consciente tem o poder para manter o equilíbrio.
O corpo pede recompensa.

E o sentimento
O que pede?...
A entrega suicida para o outro,
Ou a insaciável necessidade da troca?



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