sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Após os dias de homenagens aos mortos, vamos conversar sobre a morte?...



a vida e armadilhas do medo.
(por Claudia Mafra)

A doença provoca uma agressão, força uma continuidade entre o viver anterior e o agora... tornando o futuro incerto.

Nós temos sempre porta aberta para outra forma de poder ser. A morte é uma das certezas do futuro e nos permite o planejamento da vida. E podemos dizer, filosoficamente, que a vida é a luta contra o nada, o não-ser. Ou a idéia da brusca interrupção de “um projeto” nos dá sensação de possível fracasso.
A idéia da morte ou do cessar da existência, é algo que o Ser sabe e conhece como uma possibilidade, porém não experienciável, pois quando o Ser se defronta com a morte, com o “nada maior”, deixa de Ser no mundo. Portanto, a experiência da idéia da morte é “...o sentido da não possibilidade de chegar-se à totalidade” ? (de M.Heidegger)
Vivemos a temer o que não se pode experimentar ou não se lembrar da experiência (como os que admitem continuidade da vida após a morte). Estamos sempre ao lado do fato e a única possibilidade de acesso à morte é ganhar a experiência da morte do outro. Não há como compreender a morte como algo experienciável. Só sabemos que assim que a pessoa inicia o seu ser, aí já tem suficientemente idade para morrer.

“        A morte é, portanto, no sentido mais amplo, um fenômeno da vida, identificável, ainda que não possa ser vivido. Tendo diante de si a possibilidade constante e total da morte, a possibilidade inseparável da condição de estar aí-no-mundo, num processo de individuação, o homem está em ansiedade. Esta ansiedade é assumir para si a proximidade do nada, do não-ser-mais, uma potencialidade que é própria do seu estar sendo. Ser-para-a-morte é, portanto, na sua essência, um estado de zelo, de preocupação com a vida.”
(J.Martins 1983)


Ser no mundo é estar aberto para as possibilidades, inclusive o “não-ser”. Muitos de nós precisamos de uma fé. Então que esta fé seja raciocinada e não cegua pelo medo da “morte” ou do “juízo final” ou “carma”. Nossa tendência é esconder a mais própria possibilidade de ser e surge o medo da morte, a que não pode entregar-se a pessoa confiante em si mesma. Também por tornar-se frágil e sujeito a ser levado por inescrupulosos, tanto de crenças quanto especialistas em estética, a encher seus “chaveirinhos” de fiéis e clientes fiéis, tanto faz.

Para muitos, definir o Ser é o problema mais árduo do pensamento e Deus tudo criou. No velho Oriente, (Lao-Tzé -século VI aC), o não-Ser é o eterno Tao que é, não tem origem e cria sempre.
“        O que é não tem princípio e cria continuamente, é o Tao. De uma vida a outra portanto, embora sem ter fim ou decair, é a eternidade...”
“        Este Tao Eterno que é a negação do ser ilusório, também se chama nada. O nascer não é o começo e a morte não é o fim, enquanto o nascer e morrer são somente a entrada e a saída através da invisível “porta do éden” que se denomina não-ser. Esta é a morada dos homens perfeitos. O verdadeiro Tao não se explica”.
(Burber, 1974)

“        O Ser tem o não-Ser dentro de si mesmo, de modo que é eternamente superado no processo de vida divina. A base de tudo que é, não é uma identidade morta, sem movimento e vir-a-ser; é uma criatividade vivente. Ele se afirma criadoramente, conquistando eternamente seu próprio não-Ser. Como tal é o modelo de auto-afirmação de cada Ser finito e a fonte de coragem do Ser.”
(Tillich, 1977)
         Os conceitos de mortalidade e de mutabilidade limitam nosso ser. O corpo não é senão vibração materializada e deverá ser reconhecido como tal?
A consciência da enfermidade, da decadência e da morte, podem ser alteradas por meio da compreensão científica, tanto das profundas leis que unificam a matéria e o Espírito, como da qualidade ilusória da manifestação do Espírito com forma de matéria, do Infinito em forma finita.
         Crede firmemente que haveis sido criados à imagem do Pai e que, portanto sois imortais e perfeitos?

Um comentário:

Claudia Mafra disse...

texto baseado nas obras de D.P.Olivieri
e outros citados.

Aguardamos o seu. :-)