a vida e armadilhas do medo.
(por Claudia Mafra)
A doença provoca uma agressão, força uma continuidade entre o
viver anterior e o agora... tornando o futuro incerto.
Nós temos sempre porta aberta para outra forma de poder ser. A
morte é uma das certezas do futuro e nos permite o planejamento da vida. E
podemos dizer, filosoficamente, que a vida é a luta contra o nada, o não-ser.
Ou a idéia da brusca interrupção de “um projeto” nos dá sensação de possível
fracasso.
A idéia da morte ou do cessar da existência, é algo que o Ser
sabe e conhece como uma possibilidade, porém não experienciável, pois quando o
Ser se defronta com a morte, com o “nada maior”, deixa de Ser no mundo.
Portanto, a experiência da idéia da morte é “...o sentido da não
possibilidade de chegar-se à totalidade” ? (de M.Heidegger)
Vivemos a temer o que não se pode experimentar ou não se lembrar
da experiência (como os que admitem continuidade da vida após a morte). Estamos
sempre ao lado do fato e a única possibilidade de acesso à morte é ganhar a
experiência da morte do outro. Não há como compreender a morte como algo
experienciável. Só sabemos que assim que a pessoa inicia o seu ser, aí já tem
suficientemente idade para morrer.
“ A morte é, portanto, no sentido mais
amplo, um fenômeno da vida, identificável, ainda que não possa ser vivido.
Tendo diante de si a possibilidade constante e total da morte, a possibilidade
inseparável da condição de estar aí-no-mundo, num processo de individuação, o
homem está em ansiedade. Esta ansiedade é assumir para si a proximidade do
nada, do não-ser-mais, uma potencialidade que é própria do seu estar sendo.
Ser-para-a-morte é, portanto, na sua essência, um estado de zelo, de
preocupação com a vida.”
(J.Martins 1983)
Ser no mundo é estar aberto para as possibilidades, inclusive o
“não-ser”. Muitos de nós precisamos de uma fé. Então que esta fé seja
raciocinada e não cegua pelo medo da “morte” ou do “juízo final” ou “carma”.
Nossa tendência é esconder a mais própria possibilidade de ser e surge o medo
da morte, a que não pode entregar-se a pessoa confiante em si mesma. Também por
tornar-se frágil e sujeito a ser levado por inescrupulosos, tanto de crenças
quanto especialistas em estética, a encher seus “chaveirinhos” de fiéis e
clientes fiéis, tanto faz.
Para muitos, definir o Ser é o problema mais árduo do pensamento
e Deus tudo criou. No velho Oriente, (Lao-Tzé -século VI aC), o não-Ser é o
eterno Tao que é, não tem origem e cria sempre.
“ O que é não tem
princípio e cria continuamente, é o Tao. De uma vida a outra portanto, embora
sem ter fim ou decair, é a eternidade...”
“ Este Tao Eterno
que é a negação do ser ilusório, também se chama nada. O nascer não é o começo
e a morte não é o fim, enquanto o nascer e morrer são somente a entrada e a
saída através da invisível “porta do éden” que se denomina não-ser. Esta é a
morada dos homens perfeitos. O verdadeiro Tao não se explica”.
(Burber,
1974)
“ O Ser tem o
não-Ser dentro de si mesmo, de modo que é eternamente superado no processo de
vida divina. A base de tudo que é, não é uma identidade morta, sem movimento e
vir-a-ser; é uma criatividade vivente. Ele se afirma criadoramente,
conquistando eternamente seu próprio não-Ser. Como tal é o modelo de
auto-afirmação de cada Ser finito e a fonte de coragem do Ser.”
(Tillich,
1977)
“
Os conceitos de
mortalidade e de mutabilidade limitam nosso ser. O corpo não é senão vibração
materializada e deverá ser reconhecido como tal?
A consciência da enfermidade, da decadência e da morte, podem
ser alteradas por meio da compreensão científica, tanto das profundas leis que
unificam a matéria e o Espírito, como da qualidade ilusória da manifestação do
Espírito com forma de matéria, do Infinito em forma finita.
Crede firmemente que haveis sido criados à imagem do Pai e
que, portanto sois imortais e perfeitos?
Um comentário:
texto baseado nas obras de D.P.Olivieri
e outros citados.
Aguardamos o seu. :-)
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