sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Quem tem poder para ter prazer nesta vida?



por CláudiaMafra


Chuva lá fora e aqui o Lenine pedindo calma, 
dizendo que a vida é rara, a vida não para.

Há dias acordo com vontade grande de escrever e é como se precisasse da vida parar para eu poder...
Satisfação pessoal está tão presente em meus pensamentos ultimamente. Quem tem poder para ter prazer nesta vida?

Ontem foi natal e como todos os últimos dez anos fazemos um almoço em família especial. Ao todo já somos oito mais dois. Agradá-los me dá muito trabalho e muito mais prazer.
Ao acordar chovia lá fora e todos ainda dormiam. Fiquei bem quieta com meus pensamentos e envolvida em minha realidade pessoal vista a partir do contesto, choveu em meu coração chuva de reencontro, reconhecimento e esperança. Saudade de mim, mesmo nunca deixado de me observar. Reconhecimento das faltas comigo numa idade em que acontecem já tantas mudanças naturais que temos de adaptar. Esperança sempre. É meu segundo nome junto com alegria; atitude criativa.
Difícil traduzir sentimentos em palavras. Um amigo, (amIgor) ensinou um pouco sobre Lacan e entendi que quando conseguimos escrever é porque saiu da gente. Não nos pertence mais. Então me perdôo por não conseguir expressar exatamente o que vivencio internamente. Tento elaborar melhor e facilitar a convivência (comigo mesma, é claro) e depois as decisões são menos angustiantes.
Conclui que prazer e satisfação são coisas diferentes.
Todas duas imitam uma tal de felicidade que algumas pessoas insistem em dizer que existe. Principalmente a satisfação. – Costumo brincar com isto, quando vejo uma pessoa pouco inteligente e que tenta agradar demais, digo que é feliz. Só prova que a crueldade às vezes dá prazer, mas não satisfaz. Depois de uma crítica dessas, me dá um vazio, como se voltasse pra mim com mesma intensidade.
Acho que basta ter inteligência para ter prazer. E a satisfação? Como não confundi-la com a tal felicidade que não existe?
Quando consigo conciliar meus prazeres e deveres, fico satisfeita. É resultado de trabalho. Conciliar, em qualquer nível, requer habilidade e ser hábil requer conhecimento e/ou prática. Não basta ser inteligente para conseguir satisfação. Tem que saber confrontar a realidade com as vontades, ter valores estabelecidos para avaliações seguras dos limites de atuação; desenvolver empatia; ter animo, coragem e outras coisas que vamos descobrindo a cada fase de vida enquanto temos paciência conosco mesmo, com o próprio ritmo.

A satisfação deve ser construída, perseguida, pela ética.

Piaget estabelece diferença fundamental entre o desejo e a vontade. A vontade é uma forma de equilíbrio final, uma função inteligente de aparição tardia e seu exercício real está, precisamente, ligado ao funcionamento dos sentimentos morais.
         “        Aparece quando há conflito de tendência ou de intenção quando, por exemplo, se oscila entre um prazer tentador e um dever. Neste conflito, ou em outro análogo, sempre há uma tendência inferior mais forte por si mesma (o prazer desejado) e uma tendência superior, mas, no momento, mais frágil (o dever). O ato de vontade consiste, portanto, não em seguir a tendência inferior (fracasso da vontade, ou de uma vontade fraca) mas em reforçar a tendência superior e frágil, fazendo-a triunfar.”
(Piaget, 1982)


O almoço de natal me deu muito trabalho e prazer. A satisfação veio antes, durante e depois. Senti todos nós (os 10 presentes), comprometidos com a verdade, a alegria e o amor!
(Cláudia,2011)

2 comentários:

Jéssica Rios disse...

Cláudia, saiba que foi um grande prazer fazer parte desse almoço de natal. Espero que esse seja apenas o primeiro de muitos...

Claudia Mafra disse...

:)