por
CláudiaMafra
Chuva lá fora e aqui o Lenine pedindo calma,
dizendo que a vida é rara, a vida não para.
Há dias acordo com vontade grande de escrever e é
como se precisasse da vida parar para eu poder...
Satisfação pessoal está tão presente em meus
pensamentos ultimamente. Quem tem poder para ter prazer nesta vida?
Ontem foi natal e como todos os últimos dez anos
fazemos um almoço em família especial. Ao todo já somos oito mais dois. Agradá-los
me dá muito trabalho e muito mais prazer.
Ao acordar chovia lá fora e todos ainda dormiam. Fiquei
bem quieta com meus pensamentos e envolvida em minha realidade pessoal vista a
partir do contesto, choveu em meu coração chuva de reencontro, reconhecimento e
esperança. Saudade de mim, mesmo nunca deixado de me observar.
Reconhecimento das faltas comigo numa idade em que acontecem já tantas
mudanças naturais que temos de adaptar. Esperança sempre. É meu segundo nome
junto com alegria; atitude criativa.
Difícil
traduzir sentimentos em palavras. Um amigo, (amIgor) ensinou um pouco sobre Lacan e
entendi que quando conseguimos escrever é porque saiu da gente. Não nos
pertence mais. Então me perdôo por não conseguir expressar exatamente o que
vivencio internamente. Tento elaborar melhor e facilitar a convivência (comigo
mesma, é claro) e depois as decisões são menos angustiantes.
Conclui que prazer e satisfação são coisas
diferentes.
Todas duas imitam uma tal de felicidade que algumas
pessoas insistem em dizer que existe. Principalmente a satisfação. – Costumo brincar com
isto, quando vejo uma pessoa pouco inteligente e que tenta agradar demais, digo
que é feliz. Só prova que a crueldade às vezes dá prazer, mas não satisfaz.
Depois de uma crítica dessas, me dá um vazio, como se voltasse pra mim com
mesma intensidade.
Acho que basta
ter inteligência para ter prazer. E a satisfação? Como não confundi-la com
a tal felicidade que não existe?
Quando consigo conciliar meus prazeres e deveres, fico satisfeita. É
resultado de trabalho. Conciliar, em qualquer nível, requer habilidade e ser
hábil requer conhecimento e/ou prática. Não basta ser inteligente para
conseguir satisfação. Tem que saber confrontar a realidade com as vontades, ter
valores estabelecidos para avaliações seguras dos limites de atuação; desenvolver
empatia; ter animo, coragem e outras coisas que vamos descobrindo a cada fase de
vida enquanto temos paciência conosco mesmo, com o próprio ritmo.
A satisfação deve ser construída, perseguida, pela ética.
Piaget estabelece diferença fundamental entre o
desejo e a vontade. A vontade é uma forma de equilíbrio final, uma função
inteligente de aparição tardia e seu exercício real está, precisamente, ligado
ao funcionamento dos sentimentos morais.
“ Aparece quando há conflito de tendência
ou de intenção quando, por exemplo, se oscila entre um prazer tentador e um
dever. Neste conflito, ou em outro análogo, sempre há uma tendência inferior
mais forte por si mesma (o prazer desejado) e uma tendência superior, mas, no
momento, mais frágil (o dever). O ato de vontade consiste, portanto, não em
seguir a tendência inferior (fracasso da vontade, ou de uma vontade fraca) mas
em reforçar a tendência superior e frágil, fazendo-a triunfar.”
(Piaget, 1982)
O almoço de
natal me deu muito trabalho e prazer. A satisfação veio antes, durante e depois.
Senti todos nós (os 10 presentes), comprometidos com a verdade, a alegria e o
amor!
(Cláudia,2011)
2 comentários:
Cláudia, saiba que foi um grande prazer fazer parte desse almoço de natal. Espero que esse seja apenas o primeiro de muitos...
:)
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